HISTÓRIA DE UNHOS (IGREJA PAROQUIAL) - tirado do desdobrável de Outubro de 2005, elaborado com ocasião do ICNE

A IGREJA PAROQUIAL DE SÃO SILVESTRE DE UNHOS

Breve história

Unhos, na lezíria do Trancão, já foi terra de "augustais" na época romana e reguengo de D. Diniz na Idade Média. Sucessivamente foi sendo doado até terminar nas mãos de D. Nuno Álvares Pereira (1385). Era vila piscatória e servia de via fluvial para alcançar outras localidades Trancão acima. Aliás, o centro urbano do Unhos actual conserva muito da feição antiga com a igreja matriz a sobressair com a sua torre sineira. No Renascimento (S.XV-XVII), a igreja de Unhos detém um forte poder económico possuindo casas, pomares, herdades, rendas. É a época de maior esplendor de Unhos.

Datam desta época as tábuas pintadas por Diogo de Contreiras celebrando o orago S. Silvestre. A Colegiada de Unhos dependia da Colegiada de Ourém, tendo sido esta última a encomendar um retábulo ao pintor Diogo de Contreiras em 1537.

Os séculos XVIII e XIX viram uma paróquia florescente com Irmandades e Confrarias. Os livros que ainda se conservam atestam o trabalho pastoral e a vida da vila à volta da igreja , associada a uma economia rural e piscatória. No século XX Unhos conheceu as vicissitudes do país que levaram à decadência da igreja. Foi confiscada durante a República e posteriormente devolvida à Igreja (Auto de Entrega de . Hoje a Igreja de Unhos partilha da sorte da Freguesia na tentativa de resgatar a sua história e entrar numa dinâmica de desenvolvimento.

(In: Proposta de Classificação da Igreja de São Silvestre em Unhos, pp.1-3)

 

O prédio da igreja: "A igreja medieval foi reedificada cerca de 1668, mantendo deste período o grosso da sua feição actual, destacando-se as três portas da fachada principal, a estrutura da nave cujos arcos resistiram ao terramoto e a parede do arco cruzeiro em mármores policromos.

Após o terramoto de 1755, refez-se a abóbada da nave aproveitando-se os seus arcos estruturais e refez-se também a fachada que utilizou as portas seiscentistas. O seu interior, composto de capela mor e capelas laterais (sendo umas fundas e outras à face) foi enchido de decoração no s.XVIII (antes e depois do terramoto) consistindo essencialmente em talha dourada nas capelas, ficando, no entanto, algumas por decorar. O pavimento era todo assoalhado de madeira tendo pelo meio uma carreira de campas de pedra (Ver "Proposta de Classificação, ib., p.3")

"O interior possui seis capelas laterais ao longo da única nave. Do lado do Evangelho, a primeira capela (mais próxima do altar – mor) possui imagem de Nossa Senhora e a ornamentação em madeira branca e dourada foi feita após o terramoto de 1755. A segunda capela possui imagem de Nossa Senhora da Paz e a ornamentação em madeira policromada é posterior ao referido terramoto. A terceira capela contém a pia baptismal anterior ao terramoto. Do lado da Epístola, a primeira capela é de talha setecentista. Possui a imagem de São Miguel Arcanjo. A segunda capela, de Nossa Senhora da Piedade, possui uma imagem da Pietá tendo em fundo uma tela do último período seiscentista representando a Cruz no Calvário. A terceira capela é funda, apresentando uma cruz processional quinhentista em tábua pintada com a imagem de Cristo.

O altar – mor é em talha dourada setecentista, sacrário da mesma época e a imagem do orago, S. Silvestre.

O arco – cruzeiro, muito original, em mármores policromos (branco, vermelho e negro) possui ainda uma pequena capela sobre – elevada de desenho maneirista. É no arco cruzeiro que se encontram embutidos os dois altares colaterais, ambos de talha dourada. O primeiro, do lado do Evangelho, apresenta as imagens barrocas de S. Pedro e S. Paulo, colocadas, ambas, em nichos, a imagem de Nossa Senhora do Rosário e tímpano em tela de inícios do século XVIII representando cristo entre os Apóstolos. O segundo, do lado da Epístola, apresenta as imagens barrocas de Santa Catarina e S. Bento colocadas em nichos, uma imagem de Nossa Senhora com o Menino e tímpano em tela de inícios o século XVIII representando Cristo e o Pai Eterno.

Imagens

São Silvestre, Papa, padroeiro de Unhos. Imagem policromada de autor desconhecido. Barroco português, século XVIII-XIX. Representa o orago a baptizar, vestido de roquete, alva e estola, com a tiara na cabeça e a cruz papal a ensartar a cabeça do dragão. Restaurada em 2002 pela Dra. Filipa Cordeiro, Lisboa.

 

"Pietá", Nossa Senhora da Piedade, localizada no altar do mesmo nome. Talha em madeira do s.XVII ou princípio do XVIII, com dimensões de 1,20 x 1,20m, por autor desconhecido, é obra de primeira qualidade. Destaca a expressão da Mãe dolorosa a olhar para o céu como a esperar tudo do alto e a "vida" do Filho morto em seus braços. Notem-se a anatomia de ossos e veias de Jesus assim como a dinâmica do corpo deitado que parece suster, Ele, o morto, a esperança do coração da Mãe, atravessado pela dor. A imagem tem como fundo a tela do Calvário com Maria Madalena e São João nos lados. Tela muito suja e degradada, necessita de restauro. Ao lado da capela há uma inscrição onde é documentada como pertencendo ao P. Leonardo e que haverá missas nela pelo eterno descanso da sua alma atestado pela assinatura do escrivão.

Cristo do altar – mor, século XVIII (?), imagem em madeira com esplendor na cabeça de prata. O rosto de Jesus morto é profundamente sereno, o seu corpo despido é o de um ressuscitado. A talha depreende uma majestade que contrasta com a cruz, os pregos e a morte.

 

 

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